[Estante Empoeirada] Authority – Volume 1: Sem Perdão

April 12th, 2010 | por Vlad 'Focus'

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authority-vol1-0Criação de Warren Ellis com desenhos de Bryan Hitch e lançado no final do século XX pelo selo Wildstorm, o Authority é a superequipe que definiu como as superequipes seriam no século XXI. Esse encadernado, lançado pela editora Devir em 2005, reúne as primeiras 8 edições da série original, que contém dois arcos de histórias: “O Círculo” e “Alter-Naves”. Vamos à sinopse:

E se os super-heróis decidissem realmente mudar o mundo? E se começassem a agir do jeito que nós gostaríamos de agir diante de problemas insolúveis? E se nós começássemos a pensar como super-humanos, numa escala que nunca imaginamos antes?
AUTHORITY ousa imaginar um mundo além disso tudo e sem “panos quentes”… Sua diretriz primária é algo do tipo “vilão bom é vilão morto”, algo que, definitivamente vai contra as posturas dos quadrinhos de super-heróis que estamos acostumados a ver…
Das cinzas de um supergrupo financiado pela ONU, surge uma nova equipe de super-heróis que usarão seus incríveis poderes e habilidades para fazer com que o planeta Terra seja um lugar melhor para se viver.
Jenny Sparks, conhecida como o Espírito do Século 20, reuniu Jack Hawksmoor, o Doutor, Swift, a Engenheira, Apolo e Meia-Noite. Eles formam o AUTHORITY e, juntos, irão mudar o mundo… de uma vez por todas!
Este primeiro volume, escrito por Warren Ellis (de Planetary) e desenhado por Bryan Hitch (de Os Supremos) proporciona ao leitor uma viagem alucinante ao lado de uma superequipe cujas ações atingem proporções globais.
192 páginas
Brochura
Editora Devir

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O Círculo

Roteiro: Warren Ellis

Desenhos: Bryan Hitch

Logo no início da primeira história já sentimos o clima imediatista do roteiro de Ellis: nada de origens complicadas nem de grandes ameaças que só servem pra forçar os heróis a trabalharem juntos e formar a equipe. O Authority já é uma equipe formada, mas que ainda não se apresentou ao mundo. Jenny Sparks, o espírito do século XX, é a líder da equipe. Com seus poderes baseados em eletricidade, ela fazia parte de outra equipe, o Stormwatch, que existia antes do Authority mas que foi desativada. Ao ver um grupo de terroristas superpoderosos destruir metade da cidade de Moscou, ela leva o Authority para sua primeira missão: encontrar os terroristas e destruí-los antes que ataquem novamente.

Ellis prende seus leitores desde o início com o clima imediatista e frenético que ele monta logo nas primeiras páginas, informando apenas o essencial que precisamos saber e descartando todo o supérfluo. Portanto, a origem da equipe e dos personagens não é relevante no momento, basta saber que existia outro supergrupo antes que se desfez depois de uma série de desastres.

A atitude revolucionária da equipe pode ser vista já nesse primeiro arco. Eles são violentos e inclementes, encontram seu inimigo e o matam sem pensar duas vezes. Alguém que não leu a história poderia comparar essa atitude com a dos personagens da Image nos anos 1990, por causa da violência, mas seria uma comparação injusta. A violência do Authority não é gratuita, ela funciona a favor da história, e não o contrário. O Authority quer impor a sua visão de mundo, não importa o que os outros pensam disso, eles tem o poder, então eles dizem o que é melhor para as pessoas. Esse tipo de atitude ditatorial, de impor a sua visão de bem estar, liberdade e de democracia por meio da força, virou padrão após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos quadrinhos e muito além deles. Podemos ver isso nos X-Men pós-Complexo de Messias, nos Vingadores e até em algumas versões da Liga da Justiça, mas Ellis foi um visionário ao fazer isso no Authority antes dos atentados (essa revista é de 1999).

Resumindo essa primeira história (spoilers à frente), um grupo terrorista conhecido como O Círculo pretende destruir 3 grandes cidades ao redor do mundo para marcar o globo com o seu símbolo. O objetivo é puramente terrorista, eles não querem dinheiro nem nada, apenas o terror puro e simples. Depois de destruir Moscou, o Authority começa a investigar e consegue confrontá-los quando eles atacam Londres. A terceira cidade atacada é Los Angeles, quando o grupo finalmente acha um meio de contra-atacar e destruir completamente os terroristas.

Essa primeira história serve para Ellis mostrar a todos o objetivo da série: destruir os conceitos clássicos e impor novos conceitos. O conceito clássico é representado pelo vilão clichê, um megalomaníaco que quer dominar o mundo. O novo conceito são os heróis inclementes, que vão até as últimas consequências, mas que não deixam de ser heróicos, ou seja, não são anti-heróis. Essa foi a apresentação da série, as próximas histórias se aprofundarão mais nos personagens e no ambiente onde eles vivem.

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Alter-Naves

Roteiro: Warren Ellis

Desenhos: Bryan Hitch

Em uma dimensão paralela à nossa, a Terra foi invadida por uma raça alienígena, que utilizou as mulheres humanas para gerar híbridos que dominaram o mundo. Essa dimensão paralela, conhecida como A Volúvel Albion, já havia tentado invadir o nosso mundo antes, mas foi repelida por Jenny Sparks. Agora, eles tentam novamente realizar a invasão, mas dessa vez Jenny está acompanhada do Authority, e não só vai repelir a invasão como vai até o mundo deles destruir o seu comando e impor a sua visão de governo.

Essa história explora mais profundamente dois pontos que foram apresentados no primeiro arco. O primeiro é a Sangria, uma espécie de vaso sanguíneo interdimensional, que conecta todas as realidades existentes. É nesse espaço entre as dimensões que navega a nave que serve de base para o Authority, através dela eles podem ir imediatamente para qualquer parte do mundo, em qualquer dimensão. Atualmente o conceito da Sangria foi expandido para todo o multiverso DC, já que a Wildstorm é um selo da DC, e encontra-se atrás da Muralha da Fonte.

O outro ponto é a atitude ditatorial da equipe, mostrada muito bem quando eles vão até a Volúvel Albion. Lá, eles simplesmente afundam toda a Itália, matando todos os habitantes, e dão para os cidadãos um recado típico de uma ditadura: “Somos o Authority. Comportem-se.” A Engenheira, ao perceber o que eles fizeram, chega a se questionar, dizendo: “Acabamos de fazer algo realmente assustador. Nós mudamos um mundo. Nós chegamos e mudamos as coisas pro jeito que achamos que elas devem ser.

Mesmo que não tivesse sido o objetivo do autor, essa atitude nos leva a questionar muito do que vivemos hoje, quando as grandes potências viram-se pra um país e dizem que o seu sistema de governo é errado, e que deveriam adotar o sistema deles, e quando o pequeno país se recusa, o grande simplesmente o obriga a fazê-lo, seja militarmente, seja economicamente. Com base em que um país pode dizer que o outro está errado e impor a sua visão? Mas, devaneios à parte, voltemos ao Authority.

A arte de Bryan Hitch é outro espetáculo. Os quadros, em sua maioria, são widescreen, seu objetivo principal é dar ao leitor a sensação de estar sobrevoando aquele mundo e vendo as coisas acontecerem de uma perspectiva única. Esse também foi um estilo que influenciou muitos artistas e que se popularizou bastante depois do lançamento desta série.

A edição da Devir é muito boa, porém cara, apesar de valer muito a pena. Fica a expectativa de que a Panini relance esse excelente material a um preço mais acessível.

Nota: 9,5

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3 Comentários Para: [Estante Empoeirada] Authority – Volume 1: Sem Perdão”

  1. Shoiti says:

    Eu sou louco para ler Autority, mas no Brasil só se eu fosse rico, mais de 5 reais por história é um preço bem salgado. Bem que podiam lançar uma versão barata tipo aqueles encadernados da panini em papel de saco de pão.

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    Victor "Mortadela" Reply:

    Ler qualquer coisa que não seja da linha de frente da Marvel ou da DC aqui no Brasil é coisa de rico. Quantas vezes já quis ler Planetary, Sin City, Walking Dead, Hell Boy e várias outras hqs mas não pude porque as revistas com mais ou menos 100/150 páginas custam em torno de 40 reais.
    Já vi muita gente criticando esses encadernados da Panini dizendo que o papel e a impressão eram de má qualidade, mas 250 pgs por 20 reais eles queriam o que?! Se não fossem esses encadernados eu não teria lido muita coisa antiga.

    Registro aqui meu mimimi que não vai servir pra nada… =/

    E aliás, ótimo review(ou descrição, sei lá) da hq.

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  2. Sensacional. A equipe de super heróis que eu mais gosto. Liga da Justiça e Vingadores é o cacete. Excelente review. Só acho que nos 3 arcos do Warren Ellis, ele não conseguiu explorar bem o impacto que o Authority poderia ter na Terra, apesar deles terem mudado Albion, mas ele talvez fizesse isso se não saísse do título depois do arco seguinte. Esse lado foi brilhantemente bem explorado nos arcos seguintes pelo Mark Millar. Esses 3 arcos escritos pelo Ellis para mim pareceram mais histórias clássicas com um supergrupo motherfucker. Mas são muito bons e mostram pra gente a sensacional Jenny Sparks <3.

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